14 - A CABEÇA GRISALHA
O brilho branco que a geada
me espalhou no cabelo
fez-me grisalho por um nada
e alegrei-me ao sabê-lo.
Mas depressa se desvanece,
tenho cabelo escuro;
é a juventude o que acontece,
quão longe, o meu futuro!
Do pôr-do-sol à madrugada
muitos ficam grisalhos.
E a minha cabeça é poupada
após tantos trabalhos?
17 - NA POVOAÇÃO
Ladram os cães, arrastam as correntes;
as pessoas dormem em camas quentes,
sonhando-se o tanto que não conseguem,
fazendo o que devem e o que não devem:
E de manhã cedo é tudo apagado.
Mas lá tiveram o seu bom bocado
e esperam as fantasias deixadas
por encontrar nas suas almofadas.
Ladrem, cães de guarda! Mandem-me embora!
Não me deixem repousar a esta hora!
Dos sonhos já perdi todas as cores;
porque hei-de continuar entre os sonhadores?
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