terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

18 - A MANHÃ TEMPESTUOSA


A tempestade esfarrapou
o traje cinzento do Inverno!
Os flocos de núvens flutuam
num suave combate interno.
E encarnadas chamas de fogo
entre as núvens vão flamejando
a isto eu chamo uma manhã
ao meu gosto, assim, delirando!
O meu coração vê no céu
exactamente a sua imagem -
- é nada mais que o Inverno,
o Inveno frio e selvagem!



20 - O SINAL


Porque é que eu evito os caminhos
por todos os outros andados,
e busco atalhos escondidos
por altos rochedos nevados?

Terei cometido algum crime
que assim das pessoas me afasta?
Qual será o insensato fim
que para os desertos me arrasta?

Vejo sinais pelas estradas,
pelas cidades onde passo;
e eu, em desmedidas passadas,
sem repouso para o cansaço.

Vejo um sinal que se insinua;
perante o meu olhar ficou;
tenho que seguir esta rua
da qual nunca ninguém voltou.


21 - ALBERGUE

O meu caminho veio até a um cemitério.
Desejo aqui ficar pensando o meu mistério.
Grinaldas verdes indicam a abegoaria;
Cansado de andar, chama-me esta terra fria.
Estão todos tomados os quartos aqui?
Cansado da queda, do quanto me feri,
albergue impiedoso, por ti sou rejeitado?
Voltemos ao caminho, ó meu fiel cajado!


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