quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

8 - OLHAR RECTROSPECTIVO

De tanto gelo e neve atravessar
já me ardem os dois pés sem piedade.
Não queria voltar a respirar
enquanto vir as torres da cidade.

Contra cada pedra o meu pé bateu,
fugi dali com passos apressados;
os corvos lançam neve ao meu chapéu,
de cada casa lançam cadeados.

Não foi assim, quando me recebia,
aquela cidade dos inconstantes!
Cantavam rouxinol e cotovia
ao desafio, às janelas brilhantes.

Tão redondas, as tilias floriam,
os arroios reflectiam o céu,
e dois olhos de donzela luziam! -
- foi assim que tudo te aconteceu!

Se esse dia me vem ao pensamento,
olhando rectrostectivo, vacilo,
recuo, queria estar um momento
perante a sua casa, ali, tranquilo.

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