quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Carnaval
Circo fez-me logo pensar numa das caracteisticas mais fascinantes e mais deprimentes do Inverno: o Carnaval. No Inverno passado, ao aproximar-se o Carnaval, percebemos que o Inverno já ia a meio e que nada tinhamos ensaiado. O projecto era, então, ensaiar duas canções por semana, para dar uma leitura às vinte e quatro canções durante os três meses de Inverno. A realidade foi meia dúzia de ensaios na segunda metade do Inverno. O resultado foi uma overdose de Schubert, ainda por cima quando em 2009 a Quaresma foi toda primaveril - de calor, sol, céu azul: nem vestígios de Inverno, nem um dia de chuva, a não ser no nosso coração, que de repente se deciciu a estudar o ciclo de Schubert com uma avidez de cumprir com o prometido. Este ano, não houve promessas... Curiosamente, agora que se aproxima o Carnaval outra vez, puz-me de repente a procurar velhos papéis do ano passado e de anos anteriores em busca de traduções dos poemas de Müller que tenho espalhadas por vários diários. O português é uma lingua muito traiçoeira, mas é a nossa. As traduções que consegui não passam de um esboço, de um intermédio, porque não são traduções literais - sacrifica-se aqui a perfeição dos significados para poder haver rima e métrica semelhantes às de Müller. Mas apesar do esforço de fazer uma tradução com rima e um pouco de sentido, não estão adaptadas ainda à música. Ou seja, não creio que se possa cantar isto sem ter que alterar notas. Não queremos alterar notas... pois não? Enfim, são apenas alguns esboços de anos passados, a maior parte do Inverno passado. Penso que já tinha publicado aqui "O Corvo" no ano passado. Essa é a 15ª canção do ciclo. Não sei porque decicimos publicar precisamente essa, mas cheia-me a Fibonacci... Enfim, continuemos com as traduções.
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