quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

E finalmente!...

24 - O HOMEM DO REALEJO

Para lá da povoação
está um homem do realejo;
os dedos, em congelação,
tocam o que podem e eu vejo.

Já nem sequer tem um sapato
para andar daqui para ali,
para as moedas tem um prato
mas dinheiro nunca lá vi.

Ninguém o deseja escutar,
Ninguém quer olhar para ele
e os cães não deixam de ladrar
ao velho e à música dele.

Mas ele não tem qualquer pejo,
tudo vai deixando passar,
dá à mão e o seu realejo
nunca mais deixa de tocar.

Velho das alucinações,
e se eu ficasse teu amigo?
meus poemas, minhas canções,
gostavas de tocar comigo?

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