24 - O HOMEM DO REALEJO
Para lá da povoação
está um homem do realejo;
os dedos, em congelação,
tocam o que podem e eu vejo.
Já nem sequer tem um sapato
para andar daqui para ali,
para as moedas tem um prato
mas dinheiro nunca lá vi.
Ninguém o deseja escutar,
Ninguém quer olhar para ele
e os cães não deixam de ladrar
ao velho e à música dele.
Mas ele não tem qualquer pejo,
tudo vai deixando passar,
dá à mão e o seu realejo
nunca mais deixa de tocar.
Velho das alucinações,
e se eu ficasse teu amigo?
meus poemas, minhas canções,
gostavas de tocar comigo?
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