domingo, 21 de fevereiro de 2010

7 - NO RIO

Tu, rio, que murmuravas
bilhante, alegre e selvagem,
agora estás tão calado,
nem saudas à passagem!

Cobriste-te totalmente
de uma crosta congelada,
frio, imóvel, estendido
pela margem, pela estrada.

Com uma pedra bicuda
escrevi na crosta fria
o nome da minha amada
e também a hora, o dia:

O dia em que a conheci,
o dia em que fui embora;
formou-se um anel quebrado
do nome, do dia e hora.

Meu coração, neste rio
vês agora a tua imagem?
Também, sob a sua crosta,
entumesce assim selvagem?

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